Notícias Agora

Jornalista e compositor deixa legado de afeto

Marceu Vieira, um dos jornalistas mais queridos do Brasil, faleceu na noite de segunda-feira, dia 29, no Rio de Janeiro, aos 63 anos. Natural do Morro Agudo, em Nova Iguaçu, ele era conhecido por sua generosidade, gentileza e talento nas mais diversas frentes, como jornalismo, roteiro, composição e literatura.

Desde a notícia de sua morte, muitos ex-colegas e amigos têm compartilhado homenagens nas redes sociais, relembrando sua natureza afetuosa e o impacto que teve em suas vidas. Pedro Bial, que trabalhou com Marceu nos últimos anos como roteirista de seu programa de entrevistas, destacou como a vida do jornalista era uma verdadeira poesia.

Ancelmo Gois, que também foi amigo e chefe de Marceu no Jornal do Brasil e o levou para O Globo em 2001, ressaltou a importância que ele teve na sua vida e na coluna que leva seu nome. Marceu, carinhosamente chamado de “Marceuzinho”, criou termos e bordões que se tornaram característicos do jornalismo carioca, ajudando a trazer uma leveza aos textos com seu estilo singular. Um exemplo disso foram suas legendas com expressões como “balançaram o pé de mulher bonita” e o uso da palavra “saliência” para descrever casos amorosos, que virou uma marca registrada.

Apesar das regras do jornalismo que aconselham a neutralidade, Marceu conseguia inserir sua personalidade nos textos com sutileza, referindo-se a figuras públicas de maneira carinhosa e leve. Ele trabalhou em diversos veículos renomados, incluindo a Tribuna da Imprensa, Veja e o Jornal do Brasil, onde foi editor de Esportes e participou da cobertura da Copa do Mundo de 2014. Durante esse período, colegas notaram que sua presença fazia a equipe trabalhar com mais disposição.

Em uma demonstração de seu compromisso e bom humor, Marceu se ofereceu para treinar o time de futebol feminino da redação em 2008, levando a equipe, chamada “Grama na Calcinha”, ao título de campeã.

Marceu também deixou sua marca na literatura, tendo publicado cinco livros, entre eles “Betinho, no Fio da Navalha” e “Bip Bip, um Bar a Serviço da Alegria”. Este último retrata o famoso bar de Copacabana, onde era um frequentador assíduo e onde organizava ceias de Natal para pessoas em situação de rua, em parceria com o proprietário Alfredinho.

Além de jornalista e escritor, Marceu era um amante do samba. Ele compôs mais de 120 canções, colaborando com artistas renomados como Tuninho Galante e Teresa Cristina, e também escreveu sambas para blocos de rua durante o Carnaval.

Marceu Vieira faleceu devido a complicações de câncer de pulmão, diagnosticado em 2024, e sua doença era conhecida por um pequeno círculo de pessoas. Ele deixa três filhos: Maria, Mateus e Vitória. O velório ocorrerá na quarta-feira, dia 1º, das 9h às 11h no cemitério municipal de Nova Iguaçu e, em seguida, na sede da Associação Brasileira de Imprensa no centro do Rio, onde será realizada a cerimônia de cremação, restrita à família.

Núcleo Editorial

Compromisso com a informação de qualidade.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo