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Canetas emagrecedoras afetam a eficácia de anticoncepcionais?

A ex-BBB Laís Caldas anunciou sua gravidez recentemente, e isso levantou preocupações entre mulheres que utilizam medicamentos emagrecedores, especialmente as canetas chamadas Mounjaro. Ela revelou que engravidou enquanto estava em tratamento com este medicamento, mesmo fazendo uso de anticoncepcional oral. Essa situação trouxe à tona uma potencial interação entre as injeções e a eficácia dos anticoncepcionais, preocupando muitas usuárias.

A ginecologista Ana Selma Picoloto, professora na Faculdade de Medicina da UFRGS, confirma que essa interferência é real. Embora não existam estudos conclusivos que comprovem um aumento nas taxas de gravidez com o uso de Mounjaro, há indicações de que o medicamento pode reduzir a absorção das pílulas contraceptivas.

O Mounjaro funciona retardando o esvaziamento gástrico, o que faz com que a comida demore mais a ser digerida e, consequentemente, prolonga a sensação de saciedade. Contudo, essa mesma retenção pode afetar a absorção de medicamentos orais. Assim, os hormônios dos anticoncepcionais podem levar mais tempo para serem absorvidos, o que pode diminuir sua eficácia e potencialmente resultar em uma gravidez indesejada.

O impacto é especialmente significativo nas primeiras quatro semanas de uso da caneta e após cada aumento de dose, momentos em que a intensidade do medicamento é maior. A redução da eficácia dos anticoncepcionais orais não está ligada ao tipo de pílula, mas sim à forma como é administrada, por via oral.

Outros medicamentos, como a semaglutida, presente em tratamentos como Ozempic e Wegovy, não parecem interferir da mesma maneira nos anticoncepcionais. Embora também retardem o esvaziamento gástrico, os estudos mostram que o impacto na absorção contraceptiva é menor. O laboratório responsável por esses medicamentos afirma que as mulheres em tratamento com semaglutida podem continuar a usar contraceptivos orais.

Ainda assim, a Dra. Ana Selma Picoloto recomenda que qualquer método contraceptivo oral usado com Mounjaro deve sempre ser combinado com um método de barreira, como preservativos. Isso se deve ao fato de que as injeções podem causar efeitos colaterais, como vômitos e diarreia, que podem resultar na eliminação precoce da pílula.

Para mulheres que usam Mounjaro, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia orienta que não confiem apenas na pílula. O ideal é optar por métodos que não dependem da absorção gastrointestinal, como o Dispositivo Intrauterino (DIU), implantes subdérmicos, anticoncepcionais injetáveis, adesivos ou anéis vaginais. Esses métodos não são afetados pelo medicamento e oferecem uma proteção mais segura.

Caso uma mulher em tratamento com Mounjaro decida engravidar, é recomendado interromper o uso do medicamento pelo menos dois meses antes de tentar engravidar, para garantir a eliminação completa da substância do organismo. Se uma gravidez ocorrer durante o tratamento, é crucial interromper imediatamente o uso do medicamento. As gestações associadas ao uso de canetas emagrecedoras, conhecidas informalmente como “bebês Mounjaro”, ainda são uma área de incerteza, pois faltam dados sobre os riscos potenciais aos fetos.

É essencial que essa situação seja acompanhada por profissionais de saúde, como endocrinologistas e ginecologistas, que podem avaliar a situação de cada mulher e recomendar o método contraceptivo mais adequado, garantindo tanto o emagrecimento quanto a segurança no planejamento familiar.

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