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Uma visita ao escritório com a melhor vista

Nos vastos desertos do Oeste do Texas, uma trilha leva até um lugar peculiar, cercado por cactos e sob um céu aberto. Essa caminhada é conhecida por poucos, mas para quem a conhece, é um caminho para uma lenda local chamada “A Mesa na Colina Hancock”. Esse ponto turístico, que atrai visitantes há mais de 45 anos, está situado na cidade de Alpine.

Matt Walter, um morador que frequenta o local desde 1986, relembra sua primeira visita: “Estava frio, havia neve no chão. Naquela época, não havia sinalização sobre a mesa, mas fiquei encantado ao descobrir aquele lugar”, contou.

A mesa, na verdade, é um antigo móvel de sala de aula, marcado pelo tempo e coberto de grafites. Apesar de sua aparência simples, a vista do deserto a partir dela provoca uma sensação transformadora. Walter, que também é fotógrafo, já teve momentos de reflexão profunda ali: “Você olha para a vastidão e se pergunta sobre as maravilhas da natureza”.

Outra visitante, Dani Bell, descreveu o local como um lugar terapêutico. “É uma oportunidade para limpar a mente e organizar os pensamentos”, afirmou.

A origem desse singular marco remonta ao final da década de 1970, quando Jim Kitchen, estudante da Sul Ross State University, decidiu levar uma mesa para o topo da colina como um espaço para estudar. Tony Curry, sobrinho de Jim, descreve seu tio como alguém cheio de energia e iniciativas inusitadas. Curry também mostrou um dos modelos antigos da mesa, que é substituída a cada dez anos devido ao desgaste causado pelo clima e pelos visitantes.

Além da mesa, Jim também deixou um caderno e uma caneta para aqueles que quisessem registrar suas reflexões. Curry compartilha que ele mesmo já escreveu várias vezes nesse caderno, considerando o local como um espaço meditativo, onde é possível organizar os pensamentos.

Os cadernos, que acumulam registros de visitantes ao longo das décadas, são conservados na biblioteca da universidade e mantidos com cuidado. Paula Kitchen Curry, irmã de Jim, tem realizado visitas frequentes para trocar os cadernos. Ela descreve o conteúdo das anotações como depoimentos íntimos e, muitas vezes, emocionantes.

Entre os escritos, há mensagens de esperança, como uma anotação que diz: “Para o meu eu de 18 anos e todos que precisam ouvir isso: vai melhorar. A mudança pode ser boa. O mundo é maior do que você imagina”. Paula comenta sobre a diversidade dos relatos: “Alguns me fazem rir, outros me deixam triste”.

Tony Curry acrescenta que o espaço e os cadernos oferecem às pessoas uma oportunidade para desabafar e, ao voltar para casa, deixar para trás o que não desejam carregar. A mesa na colina Hancock, assim, se transforma em um local de contemplação e abertura de coração, um verdadeiro refúgio nos desertos do Texas.

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