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Reino Unido pode estar em conflito com a Rússia, diz ex-chefe do MI5

O Reino Unido pode estar em um estado de guerra com a Rússia devido à gravidade e intensidade de ataques cibernéticos, sabotagens e outras atividades hostis realizadas por Moscou contra o país. Essa afirmação foi feita por Eliza Manningham-Buller, antiga chefe do MI5, a agência de segurança interna britânica, que ocupou o cargo há duas décadas.

Manningham-Buller expressou que concorda com a análise da especialista em Rússia, Fiona Hill, que afirmou que Moscou está em guerra com o Ocidente. A ex-chefe do MI5 destacou que a situação se agravou desde a invasão da Ucrânia, mencionando atividades russas de sabotagem, coleta de inteligência, ataques direcionados e outras ações hostis no Reino Unido.

Durante uma entrevista em um podcast com John McFall, o lord speaker, Manningham-Buller enfatizou que o tipo de conflito é diferente dos que normalmente se espera em uma guerra. Ela ressaltou a magnitude dos ataques cibernéticos e físicos, além do amplo trabalho de espionagem feito pela Rússia.

Recentemente, seis búlgaros residentes no Reino Unido foram condenados por envolvimento em uma rede de espionagem que realizava vigilância hostil na Europa. Além disso, cinco homens foram julgados e condenados por um incêndio criminoso em um armazém que continha suprimentos destinados à Ucrânia, uma ação supostamente ordenada por Moscou.

Ano passado, Pat McFadden, que na época era ministro do Gabinete, afirmou que os ataques cibernéticos da Rússia contra o Reino Unido aumentaram. Empresas britânicas foram alvo de hackers, e embora possa levar tempo para identificar a origem dos ataques, muitos são suspeitos de serem de origem russa.

Aliados do Reino Unido na OTAN, especialmente na Europa Oriental, também têm enfrentado recentes incidentes com drones. O caso mais notório ocorreu na Polônia, onde 19 drones russos não armados entraram em seu espaço aéreo recentemente.

Durante o mandato de Manningham-Buller no MI5, de 2002 a 2007, havia esperanças de que a Rússia, sob a liderança de Vladimir Putin, não retornasse aos antigos métodos da era soviética e se tornasse um parceiro do Ocidente. Em 2005, ela se encontrou com Putin durante uma visita a Londres, após uma cúpula do G8 na Escócia. Naquela época, o lord McFall sugeriu que o presidente russo estava tentando cultivar uma imagem amigável para impressionar as grandes nações ocidentais.

Manningham-Buller, no entanto, não teve uma impressão positiva de Putin, mencionando que não esperava que, em um curto espaço de tempo, ele estivesse dando ordens para o assassinato de Alexander Litvinenko em Londres. Litvinenko, um ex-espião russo que vivia na capital britânica, foi envenenado com polônio radioativo e morreu de forma agonizante em 2006. Uma investigação pública realizada anos depois concluiu que dois agentes russos o assassinaram, provavelmente a mando de Putin.

Além de discutir a guerra cibernética, Manningham-Buller criticou as decisões dos governos dos Estados Unidos e do Reino Unido em cortar drasticamente os gastos com ajuda humanitária. Ela argumentou que isso abre espaço para que a China influencie países mais pobres. Em sua experiência como diretora e depois presidente da Wellcome Trust, uma instituição de pesquisa médica, ela ficou impressionada com a qualidade do tratamento do HIV financiado pelos EUA na África. Segundo Manningham-Buller, o cancelamento desse tipo de apoio deixaria uma lacuna que diplomatas chineses poderiam explorar, dado o sólido base econômica da China. Ela defendeu que o que considera “poder brando” – como a ajuda humanitária e iniciativas de desminagem – é crucial para manter a influência do Ocidente no mundo.

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