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Ilha do Caribe proíbe entrada de moradores nas praias

A Disputa pelas Praias da Jamaica

A Jamaica, famosa por suas praias de areia branca e águas azuis, se tornou um destino popular, especialmente entre turistas que buscam relaxar e aproveitar a natureza. Em 2024, a ilha recebeu 4,3 milhões de visitantes, estabelecendo um recorde. No entanto, a situação dos moradores jamaicanos está mudando, e as praias estão se tornando inacessíveis para a população local.

A Jamaica tem um litoral extenso, com 1.022 quilômetros, mas apenas 0,6% dessas praias são de acesso público, segundo um grupo chamado Movimento Ambiental pelo Direito por Nascimento às Praias da Jamaica (JaBEEM). A privatização das praias começou há cerca de 70 anos e se intensificou nos últimos cinco anos, especialmente com a construção de resorts em áreas antes acessíveis.

Recentemente, os moradores da comunidade de Steer Town perderam o acesso às águas onde pescavam há gerações devido à venda de partes da costa para empreiteiros e empresas internacionais. A construção de resorts all-inclusive limitou ainda mais o espaço disponível para a população local.

A Lei de Controle das Praias, criada em 1956, permitiu que o governo controlasse as praias e transferisse áreas para a iniciativa privada sem garantir direitos de acesso público. Essa legislação resultou em um cenário onde os jamaicanos enfrentam barreiras para acessar suas próprias praias e rios, com exemplos notáveis, como o bloqueio do rio Roaring e da baía de Mammee.

A luta por acesso à praia ganhou força com o surgimento do JaBEEM em 2021. Os cidadãos começaram a reivindicar a revogação da lei que restringe o acesso às praias. Atualmente, existem cinco ações na justiça em nome de comunidades que buscam reverter as privatizações, incluindo casos envolvendo a baía de Mammee e o rio Little Dunn.

Além disso, a renda obtida com o turismo está sendo amplamente repassada para entidades estrangeiras. Apenas 40% dos lucros do turismo ficam na Jamaica, o que gerou preocupação entre os moradores sobre a perda de recursos naturais e culturais.

Em resposta à privatização das praias, algumas comunidades resistem, e figuras locais, como Marcus Goffe, um advogado do JaBEEM, destacam a importância do acesso ao mar e suas implicações culturais. Ele acredita que, sem acesso, as comunidades podem desaparecer em algumas gerações.

Apesar dos desafios, ainda existem opções para desfrutar da cultura local e das praias da Jamaica. Algumas áreas, como a praia Seven Mile em Negril, oferecem fácil acesso a estruturas que integram os visitantes à cultura local. Alternativas em praias públicas, como as em Treasure Beach, também são opções viáveis para quem busca uma experiência mais conectada à comunidade.

A luta para garantir que os jamaicanos tenham acesso aos seus mares continua e, com a ajuda da sociedade civil, a esperança é que as futuras gerações possam desfrutar da herança marítima da Jamaica. Essa é uma questão não apenas de direitos, mas também de identidade cultural e comunitária.

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