Produtos que podem ter aumento de preço nos EUA com tarifas –
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Na última quarta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou uma nova tarifa de 50% sobre produtos brasileiros que entrarem no país a partir do dia 6 de agosto. A decisão foi aguardada com expectativa e veio acompanhada de uma lista de quase 700 itens isentos da tarifa, beneficiando setores como o de suco de laranja e fabricação de aeronaves.
Atualmente, os produtos que ficarão sujeitos à nova taxa representam cerca de 43,4% das exportações brasileiras para o mercado americano, o que preocupa indústrias do Brasil. Aproximadamente 3,8 mil itens ainda estarão sob a nova sobretaxa, incluindo café e açúcar orgânico, produtos em que o Brasil é um fornecedor significativo.
As indústrias têm demonstrado preocupação com os possíveis prejuízos, já que a tarifa pode impactar a viabilidade das exportações para os EUA. Para os consumidores americanos, os efeitos da taxação devem aparecer nos próximos meses. É possível que a importação de produtos brasileiros diminua, levando os EUA a aumentar a produção interna ou buscar novos mercados, o que poderia resultar em uma redução da oferta interna desses itens, com possível aumento de preços.
Em uma análise recente, um centro de pesquisa da Universidade de Yale estimou que, com as tarifas, a inflação nos EUA poderia aumentar em 1,8% no curto prazo. Isso representaria uma perda média de US$ 2.400 por domicílio até 2025.
Entre os produtos que podem ficar mais caros nos EUA, destaca-se o café. O Brasil é o maior fornecedor de café do mundo, respondendo por cerca de um terço das importações americanas. O secretário de Comércio dos EUA comentou sobre a possibilidade de incluir produtos não cultivados no país em uma lista isenta de tarifas, mas não há confirmação sobre quando essa decisão será anunciada.
Outro item mencionado é a manga e goiaba. Os EUA importam a maior parte das mangas que consomem e, atualmente, o Brasil figura como o quarto maior fornecedor de frutas para o país, com exportações de cerca de US$ 56 milhões em 2024. Com a tarifa de 50%, produtores brasileiros afirmam que suas exportações podem se tornar inviáveis e já relatam cancelamentos de pedidos.
A carne também é uma preocupação. O Brasil lidera as exportações de carne bovina para os EUA, respondendo por 23% das importações. A Associação Brasileira de Frigoríficos alertou que a tarifa adicional poderia inviabilizar as vendas ao mercado americano. Especialistas preveem um aumento de cerca de 1,1% nos preços da carne bovina nos meses seguintes à implementação da tarifa.
No caso do açúcar orgânico, o Brasil foi responsável por 49% das importações americanas. A Organic Trade Association, que representa o setor de produtos orgânicos nos EUA, advertiu que o aumento de preços pode comprometer diversas cadeias produtivas de alimentos.
Além disso, o Brasil também é um importante fornecedor de manteiga de cacau para o mercado americano, fundamental na produção de chocolate. Com as tarifas, as expectativas são de que o preço do chocolate continue a subir devido a restrições na oferta.
Por fim, a tarificação de produtos metálicos pode afetar diversos setores, incluindo a indústria automotiva, já que o Brasil é um grande fornecedor de aço e nióbio para os EUA. O aumento de tarifas sobre o aço e alumínio já havia sido implementado, e o objetivo é revigorar a indústria siderúrgica americana, embora isso tenha gerado críticas devido ao aumento de custos para produtos que utilizam esses materiais, como alimentos enlatados e veículos.



