Cidades de SP decretam emergência hídrica por falta de água
O estado de São Paulo enfrenta um longo período de estiagem, levando muitas prefeituras a declarar emergência hídrica e a buscar fontes alternativas de captação de água devido aos baixos níveis dos reservatórios.
Esse problema também afeta as represas de hidrelétricas na bacia do Rio Grande, que é responsável por 25% da energia gerada no Sudeste e Centro-Oeste do Brasil. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) está monitorando a situação de perto.
Na região de Sorocaba, a cidade de Mairinque recebeu, no dia 21, autorização emergencial do governo do estado para captar água de um ribeirão conectado à represa de Itupararanga. Esta medida, que visa minimizar os efeitos da seca, tem validade de 90 dias, podendo ser prorrogada se solicitado pela concessionária Saneacqua Mairinque S.A. A nova captação terá capacidade de 270 metros cúbicos por hora e funcionará continuamente.
Outra cidade enfrentando a crise hídrica é Várzea Paulista, localizada na região de Jundiaí. Problemas de abastecimento levaram a Sabesp, concessionária responsável pelo abastecimento na cidade, a abrir novos pontos de captação para estabilizar a distribuição de água. A empresa se desculpou por interrupções na rede e informou que a situação já se normalizou.
Em Americana, a emergência hídrica decretada em 30 de setembro ainda está em vigor. A cidade, que depende do rio Piracicaba para seu abastecimento, também enfrentou dificuldades na distribuição de água. Recentemente, a prefeitura revelou que, embora a escassez não esteja totalmente superada, a situação melhorou e não houve interrupções no abastecimento nos últimos dias.
A cidade de Amparo tomou uma decisão semelhante, alertando que a redução na captação de água bruta diminuiu a disponibilidade de água potável. Medidas foram implementadas para evitar desperdícios, incluindo a proibição de lavar calçadas. A prefeitura anunciou investimentos significativos em saneamento e aguarda a liberação de R$ 40 milhões para construir uma Estação de Tratamento de Água.
Alguns locais que passaram por racionamento, como Bauru, começaram a ver melhorias após precipitações registradas em outubro. Essa normalização, no entanto, requer um monitoramento constante por parte da autarquia local.
As represas que pertencem à bacia do Rio Grande, na divisa com Minas Gerais, continuam em níveis críticos. O reservatório mais afetado, Água Vermelha, opera com apenas 24,5% da capacidade. Os reservatórios de Marimbondo e Furnas também têm porcentagens baixas, de 29,11% e 36,65%, respectivamente. A Axia Energia, que administra essas represas, informou que a situação está dentro das expectativas para este período do ano e que projetos estão em andamento para recuperar áreas danificadas.
O ONS ressaltou que monitora continuamente o cenário e, se necessário, pode indicar ações adicionais ao Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico para atender à demanda que tende a aumentar com a chegada do período chuvoso. Isso pode significar um aumento nos gastos, pois pode haver necessidade de acionar mais usinas termelétricas que, por sua vez, elevam os custos de operação.
Na capital paulista e na região metropolitana, a situação hídrica é preocupante. A SP Águas, agência reguladora estadual, promulgou um decreto de escassez hídrica no final de setembro, que suspendeu novas outorgas nas bacias do Alto Tietê e do Rio Piracicaba. Essa medida foi originada após a Sabesp anunciar a redução da vazão de água durante a noite.
O governo estadual informou que essa redução ajudou a economizar 25 bilhões de litros de água, um volume equivalente ao consumo de quatro cidades por dois meses. O Sistema Integrado Metropolitano, que engloba os mananciais que abastecem a capital e arredores, operava com apenas 29,1% da capacidade na última quarta-feira.
Os níveis dos sistemas Alto Tietê e Cantareira continuam baixos, com registros de 23,1% e 24,6%, respectivamente, os menores desde dezembro de 2015. O governo está trabalhando em investimentos para fortalecer a segurança hídrica na Grande São Paulo, focando em interligações e na ampliação do Sistema Integrado Metropolitano.
Especialistas destacam a necessidade de iniciativas preventivas para captação de água, enfatizando que os municípios devem agir antes que a situação se agrave, em vez de apenas esperar por soluções emergenciais.
