Juan Orlando Hernández: ex-presidente de Honduras e apoio de Trump
O ex-presidente de Honduras, Juan Orlando Hernández, condenado a 45 anos de prisão nos Estados Unidos por narcotráfico, pode ser libertado. A decisão do presidente Donald Trump em conceder o indulto a Hernández foi anunciada em 28 de novembro de 2025. Trump argumentou que o ex-mandatário hondurenho foi tratado com rigor excessivo e injusto, uma afirmação que gerou debate.
O anúncio do indulto chama a atenção por ocorrer a menos de 48 horas das eleições em Honduras, que vão escolher o sucessor da atual presidente, Xiomara Castro. Trump também manifestou apoio a Nasry “Tito” Asfura, um candidato do Partido Nacional, adversário político da atual administração e aliado de Hernández.
A decisão de Trump é surpreendente, especialmente considerando que Hernández foi acusado de traficar aproximadamente 500 toneladas de cocaína para os Estados Unidos e, semanas antes do indulto, Washington intensificou sua presença militar no Caribe para combater o tráfico de drogas, resultando na destruição de lanchas suspeitas e na morte de mais de 80 pessoas.
Os procuradores norte-americanos que processaram Hernández o acusaram de transformar Honduras em um “narcoestado”, utilizando os lucros do narcotráfico para enriquecer e se manter no poder. O ex-presidente nega as acusações, chamando-as de mentiras.
Hernández, conhecido como JOH, teve uma ascensão política marcante. Tornou-se o presidente mais jovem de Honduras em 2014 e, em 2017, foi o primeiro a ser reeleito em décadas, apesar de a Constituição proibir a reeleição imediata. Sua trajetória política começou em uma cidade do interior do país, onde nasceu como o 15º de 17 irmãos. Formou-se em Direito e começou sua carreira política como líder estudantil. Com o tempo, ocupou cargos como deputado e presidente do Congresso, onde ganhou notoriedade por suas políticas de segurança pública.
Durante seu governo, Hernández prometeu enfrentar a violência ligada ao narcotráfico e extraditou vários suspeitos para os Estados Unidos. No entanto, sua gestão ficou marcada por escândalos, incluindo a prisão de seu irmão, Juan Antonio Hernández, que foi acusado de tráfico de drogas. As investigações revelaram links de Hernández com cartéis de drogas e subornos a autoridades para facilitar o tráfico.
Em 2022, logo após deixar a presidência, Hernández foi preso e extraditado para os Estados Unidos, onde foi julgado e condenado. Durante o julgamento, foram apresentadas diversas evidências que contradizeram suas alegações de inocência. Hernández foi sentenciado em junho de 2024 a quase 50 anos de prisão e multado em US$ 8 milhões.
Além da condenação nos Estados Unidos, a Justiça hondurenha confiscou bens e propriedades relacionados a ele. Agora, aguarda-se a confirmação do indulto e a possibilidade de que ele retorne a Honduras para retomar sua vida política.
