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Miguel Nicolelis: IA pode ser uma armadilha para a humanidade

Miguel Nicolelis, um renomado neurocientista brasileiro, fez declarações impactantes sobre a inteligência artificial (IA) durante o evento Despertar 2025, que ocorreu em São Paulo. Ele considera a atual abordagem da IA como “um dos maiores engodos” da história da humanidade.

Durante sua apresentação, Nicolelis falou sobre seu novo livro, que abordará sua crítica à inteligência artificial, que ele apelidou de NINA. O nome é um acrônimo de “nem inteligente, nem artificial”, refletindo suas opiniões negativas sobre a tecnologia. O médico ressaltou que a nomenclatura expressa como a maioria dos neurocientistas vê a IA como uma grande ilusão, comparando-a ao “óleo de cobra”, uma expressão americana utilizada para descrever fraudes.

Nicolelis afirmou que existe uma dificuldade fundamental em definir o que é inteligência. Segundo ele, não há uma forma clara de quantificar o processo neurobiológico que a produz. Ele argumentou que os aspectos mais sofisticados da mente humana não podem ser traduzidos em lógica digital, já que os seres humanos não operam como computadores. Os líderes do setor de tecnologia, especialmente aqueles do Vale do Silício, muitas vezes não compreendem o que estão criando ao falar de IA.

Durante o debate, Nicolelis também alertou sobre o impacto da tecnologia nas habilidades cognitivas humanas. Ele observou que, à medida que as pessoas confiam mais em máquinas para tarefas que costumavam realizar, há uma tendência de perda de capacidades cognitivas. Ele citou a dificuldade atual das pessoas em memorizar números de telefone como um exemplo prático dessa mudança no comportamento.

Apesar de algumas crenças na replicação da função cerebral pelas máquinas, o neurocientista é bastante cético. Ele afirma que essa possibilidade é inviável, pois a lógica do cérebro humano não se alinha com a lógica digital.

Sobre o futuro da inteligência artificial, Nicolelis explicou que os modelos de linguagem avançada, conhecidos como LLMs, utilizam informações do passado para formar suas respostas. No entanto, ele frisou que esses sistemas podem gerar afirmações que não são verdadeiras ou que não fazem sentido. Eles não têm compromisso com a precisão das informações que produzem, tornando suas respostas suscetíveis a erros e desinformação.

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