Homem ofende filha de ministro do STF em universidade no Paraná
A professora e diretora do Setor de Ciências Jurídicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Melina Fachin, foi agredida verbalmente e fisicamente no campus da universidade. No último dia 6, enquanto saía da Faculdade de Direito, um homem a ofendeu, chamando-a de “lixo comunista”, além de cuspir nela. Melina é filha do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal.
Até o momento, a professora não se manifestou publicamente sobre o incidente. No entanto, seu marido, o advogado Marcos Gonçalves, denunciou a agressão em suas redes sociais, descrevendo o ato como uma “agressão covarde”. Ele relatou que um homem branco, que não foi identificado, se aproximou de Melina e a atacou enquanto proferia xingamentos.
Gonçalves enfatizou que a violência é um reflexo da irresponsabilidade de pessoas que alimentam discursos de ódio, associando essa prática a um movimento radical de extrema direita que busca silenciar vozes dissidentes. O autor da agressão ainda é desconhecido, mas o advogado conectou o episódio a uma recente tensão na universidade, ocorrida no dia 3, quando estudantes bloquearam o acesso ao prédio da Direito da UFPR. O bloqueio foi em protesto a um evento intitulado “Como o STF tem alterado a interpretação constitucional?”, que contava com a participação de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O evento foi cancelado, mas o vereador Guilherme Kilter e o advogado bolsonarista Jeffrey Chiquini tentaram adentrar o local. Gonçalves se referiu a este episódio como uma “provocação” que desrespeita as instituições. Além disso, mencionou a ocorrência de violência policial contra os estudantes envolvidos na manifestação.
Ele também fez uma advertência, afirmando que quaisquer ações futuras contra Melina ou sua família seriam de responsabilidade dos agressores. Na comunidade universitária, houve uma forte reação de solidariedade a Melina. O Centro de Estudos da Constituição da UFPR divulgou uma nota repudiando veementemente a agressão e destacando que este ato de violência não é isolado, mas um sintoma de um problema mais amplo de intolerância e autoritarismo.
Além disso, o Projeto das Promotoras Legais Populares de Curitiba e Região Metropolitana e o Grupo de Pesquisa em Direito Constitucional da Universidade Federal de Mato Grosso também se manifestaram, elogiando a atuação de Melina em defesa dos direitos humanos. A situação ressalta a crescente preocupação com a segurança e os direitos de expressão dentro de espaços acadêmicos no Brasil.
