Dólar e Bolsa: cotação atualizada em 01/08/2025 –
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Nesta sexta-feira, o dólar registrou uma queda de 0,98%, fechando a cotação a R$ 5,545. Essa desvalorização da moeda americana ocorreu após a divulgação de números de empregos nos Estados Unidos que estiveram muito abaixo do esperado.
O relatório de empregos revelou que em julho foram criadas apenas 73 mil vagas, enquanto as expectativas giravam em torno de 110 mil. Além disso, a taxa de desemprego subiu de 4,1% para 4,2%. Dados relativos ao mês de junho também foram revisados: ao invés das 147 mil vagas inicialmente reportadas, a criação efetiva foi de apenas 14 mil.
André Valério, economista sênior do Inter, comentou que esses dados refletem uma economia americana paralisada, em parte devido à incerteza gerada pela política comercial da administração Trump. Ele ressaltou que a desaceleração no mercado de trabalho está clara e que a situação atual tem sido evidenciada pelas correções negativas nos dados de emprego.
Esses dados de emprego surgem no contexto das decisões do Federal Reserve, o banco central dos EUA, que recentemente manteve a taxa de juros entre 4,25% e 4,5%. Durante uma coletiva, o presidente do Fed, Jerome Powell, destacou que o mercado de trabalho se encontra em um delicado equilíbrio, com a oferta e a demanda em declínio. Ele reconheceu os riscos associados a essa dinâmica.
A leitura anterior no mercado indicava que cortes nas taxas de juros não eram esperados para setembro. Entretanto, com os dados fracos do payroll, a expectativa voltou a ganhar força, e o próximo relatório de emprego será crucial para determinar se haverá uma mudança na política monetária.
A decisão de manutenção das taxas não foi consensual entre os diretores do Fed. Dois membros do comitê discordaram e pediram cortes de 0,25 ponto percentual, e houve uma abstenção. Especialistas comentaram que essas discordâncias indicam que não há um consenso claro sobre a necessidade de manter as taxas em seu patamar atual.
O Fed tem a missão de equilibrar desemprego e inflação, buscando o pleno emprego e uma inflação controlada em torno de 2% ao ano. Quando as taxas de juros nos Estados Unidos estão altas, os investimentos tendem a fluir para aquele país devido aos retornos atrativos, o que acaba fortalecendo o dólar. Por outro lado, reduções nas taxas podem levar investidores a buscar opções mais rentáveis em outros mercados, resultando em uma desvalorização da moeda.
No âmbito das tarifas comerciais, o presidente Trump anunciou na quinta-feira novas taxas que variam de 10% a 41% sobre produtos de diversos países, com início das cobranças a partir de 7 de agosto. O Canadá, por exemplo, verá suas taxas aumentadas de 25% para 35%, enquanto o Brasil enfrentará uma sobretaxa que totaliza 50%, após a implementação de uma tarifa adicional.
Além dessas sobretaxas, muitos outros países também serão afetados. A lista inclui taxas de 41% para a Síria, 39% para a Suíça e 30% para a África do Sul. O Brasil, apesar do aumento significativo, ainda pode contar com uma isenção que beneficia cerca de 700 produtos exportados para os Estados Unidos.
Essas novas tarifas fazem parte de um contexto maior de tensões comerciais que o presidente Trump já havia iniciado em abril, o que levou a uma suspensão temporária de tarifas após reações negativas. Durante esse período, Trump também estabeleceu trégua de tarifas com a China e fez acordos com várias nações.
Para o Brasil, a ampliação das sobretaxas levou o governo de Luiz Inácio Lula da Silva a considerar formas de proteger mais empresas brasileiras das novas tarifas. Há um esforço em andamento para aumentar a lista de exceções e facilitar diálogos entre o Brasil e autoridades americanas, como o secretário do Tesouro, visando mitigar os impactos das tarifas. Mesmo diante das sanções financeiras, o governo planeja manter o diálogo e aumentar a interação nas questões econômicas.



