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Como interromper o ciclo de hype da IA e tomar decisões eficazes –

Executivos de tecnologia, como Robert Blumofe, destacam um padrão comum no uso da inteligência artificial (IA) nas empresas. Muitas vezes, os líderes de negócios se empolgam com relatos de inovações iniciais em IA, confundem isso com aplicações maduras e, temerosos de ficarem para trás, mergulham na adoção descontrolada. O resultado geralmente é uma implementação que não cumpre o que promete.

Blumofe, que é vice-presidente executivo e diretor de tecnologia da Akamai, apresentou essas questões durante a conferência EmTech AI do MIT Technology Review. Ele ressaltou que esse ciclo de hype envolve sucesso aparente com a IA, um medo de perder oportunidades, que gera frustrações e falhas na implementação.

Ele destacou que, para evitar esses problemas, as empresas devem focar na fluência em IA dentro de suas equipes. Um levantamento feito pela Pew Research revelou que apenas um em cada seis trabalhadores nos Estados Unidos utiliza IA em suas funções, enquanto aproximadamente 81% ainda não fazem uso dessa tecnologia.

Blumofe, que tem doutorado em ciência da computação pelo MIT, considera a baixa adoção de IA como uma oportunidade desperdiçada. Ele afirma que, atualmente, a maioria dos empregos pode se beneficiar dessa tecnologia e que a questão é identificar quais tarefas podem ser mais otimizadas e de que forma.

Para ajudar os líderes empresariais a avançar na fluência em IA, ele compartilhou quatro recomendações:

  1. Evite o excesso de investimento em grandes modelos de linguagem: Muitas pessoas veem a IA apenas por meio de grandes modelos de linguagem, que processam enormes quantidades de dados. Entretanto, há modelos de IA específicos que são mais adequados para resolver tarefas concretas. Por exemplo, a Akamai utiliza modelos personalizados para identificar e analisar potenciais ameaças de cibersegurança.

  2. Cuidado com o sucesso aparente dos LLMs: Embora um grande modelo de linguagem possa ser útil para classificar e-mails, essa aplicação pode ser considerada “teatro do sucesso”. Isso porque muitos problemas empresariais exigem soluções mais complexas, que vão além de organizar dados simples.

  3. Explore a diversidade de tecnologias de IA: É importante visualizar a IA de maneira holística, conhecendo a diversidade de abordagens disponíveis, como aprendizado profundo para reconhecimento de padrões e IA simbólica para respostas lógicas. Blumofe acredita que essas opções alternativas podem oferecer mais valor a longo prazo para as empresas do que grandes modelos de linguagem.

  4. Permita que os funcionários experimentem: A Akamai criou um espaço interno que permite que todos explorem e utilizem a IA. Essa abordagem contrasta com a de outras empresas que limitam os projetos a alguns pilotos. Ele observou que, embora a equipe de tecnologia possa ficar sobrecarregada com o uso, ele defende a liberdade de experimentar sem avaliações excessivas de cada caso de uso.

Blumofe também comentou sobre práticas de algumas empresas, como Shopify e Duolingo, que exigem que os gerentes de contratação demonstrem que a IA não pode realizar uma função antes de optar por um humano. Para ele, o foco deveria ser o problema a ser resolvido e a tecnologia mais adequada para isso, não o contrário.

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