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Crianças no sul de Angola enfrentam desnutrição crônica –

Quase metade das crianças com menos de cinco anos no sul de Angola enfrenta desnutrição crônica. Um estudo da Universidade do Porto indica que a situação é alarmante, com apenas 3,5% das crianças tendo uma dieta considerada minimamente aceitável.

A pesquisa revela uma prevalência de desnutrição crônica de 47,1% na região, sendo mais elevada nas províncias da Huíla e do Cunene. Esse levantamento é baseado em 15 anos de inquéritos populacionais nessas áreas, e mostra uma tendência preocupante: desde 2006, as condições nutricionais e as práticas alimentares das crianças pequenas pioraram.

Além disso, a desnutrição aguda global, que mede a desnutrição severa e moderada, também permanece alta. Em 2021, a Huíla registrou 19,3% de desnutrição aguda, enquanto o Cunene alcançou 12,4%. Os dados mais recentes de 2021 mostram que 9% das crianças na região estão em risco de desnutrição aguda, cifra que é cerca de duas vezes maior do que a meta estabelecida pela Organização Mundial da Saúde, que é de menos de 5%.

A pesquisa também aponta que apenas 3,5% das crianças entre 6 e 23 meses consomem uma alimentação adequada, segundo critérios que avaliam a variedade e a quantidade de alimentos de diferentes grupos alimentares. A diversidade alimentar e a frequência das refeições para essa faixa etária estão em queda, o que se agrava ainda mais com a insegurança alimentar provocada pela seca prolongada.

Por outro lado, um dado positivo é que o aleitamento materno exclusivo até os seis meses é bastante elevado, com 73,1% no Cunene e 63,2% na Huíla, superando a meta de 50% da OMS para 2025.

Os pesquisadores recomendam uma monitorização constante do estado nutricional das crianças e uma avaliação detalhada do consumo alimentar individual. Eles também sugerem a melhoria da formação de profissionais de saúde em nutrição e investimentos em infraestrutura especializada. Apesar das estratégias políticas existentes para combater a desnutrição infantil e a insegurança alimentar, os números mostram que a situação continua sendo um grande desafio.

Um programa implementado entre 2018 e 2025 visa combater a fome e a pobreza nas províncias do sul, especialmente nas áreas mais afetadas pela seca, mas os resultados indicam que é necessário agir com urgência e eficácia para enfrentar esses problemas.

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