Câncer de intestino tem aumento entre jovens; entenda razões –
A cantora Preta Gil faleceu no último domingo, dia 20, aos 50 anos, em decorrência de um câncer de intestino, conhecido também como câncer de cólon ou câncer colorretal. O diagnóstico foi feito em 2023, quando a artista tinha 48 anos. Preta estava nos Estados Unidos recebendo um tratamento experimental para a doença.
O câncer de intestino é uma preocupação crescente no Brasil. Ele é o segundo tipo de tumor mais comum no sistema digestivo e o terceiro que mais causa mortes no país, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca). A doença pode afetar tanto homens quanto mulheres, sendo mais frequente entre pessoas de 60 a 70 anos. Contudo, tem-se observado um aumento no número de casos entre pessoas mais jovens.
Um levantamento global revelou que, em trinta anos, houve um crescimento de 79% no número de diagnósticos de câncer em pessoas com menos de 50 anos, com o câncer de intestino figurando entre os mais prevalentemente diagnosticados. Nos Estados Unidos, ele se tornou a principal causa de morte por câncer em homens nessa faixa etária.
Vários fatores têm sido apontados como contribuintes para o crescimento do câncer de intestino entre os jovens. Entre eles estão a alimentação inadequada, o sedentarismo e a obesidade. Pesquisas recentes destacam que dietas ricas em alimentos ultraprocessados e pobres em alimentos frescos e naturais aumentam o risco da doença.
Um estudo da Cleveland Clinic identificou que substâncias derivadas da dieta, em especial aquelas associadas ao consumo de carne vermelha e processada, podem elevar o risco de câncer colorretal em jovens. Outra pesquisa, realizada pela Universidade do Sul da Flórida, sugeriu que certas gorduras presentes em alimentos ultraprocessados podem contribuir para a inflamação, um fator que favorece o desenvolvimento de tumores.
Os especialistas afirmam que dietas não saudáveis aumentam a inflamação no corpo, o que pode dificultar a recuperação de lesões e favorecer o crescimento do câncer. Além disso, mudanças na microbiota intestinal, que é a flora que habita o intestino, podem ser provocadas pelo consumo excessivo de alimentos pouco saudáveis. O uso indiscriminado de antibióticos também é um fator de risco, já que esses medicamentos afetam as bactérias benéficas da microbiota.
As diretrizes recomendam que a realização de exames de rastreio, como a colonoscopia, seja iniciada a partir dos 50 anos. Por conta disso, muitos casos de câncer de intestino em jovens costumam ser diagnosticados em estágio avançado, quando os sintomas já estão presentes. Recentemente, a American Cancer Society começou a sugerir que pessoas com algum fator de risco façam colonoscopia preventiva a partir dos 45 anos, visando descobrir a doença precocemente. A frequência das avaliações deve ser determinada de acordo com o resultado do exame e o histórico de saúde do paciente.
Outro exame que pode ajudar na detecção precoce é a análise de fezes, que verifica a presença de sangue. Pessoas com histórico familiar de câncer colorretal são orientadas a consultar um médico para avaliar a necessidade e a frequência dos rastreios, uma vez que ter um parente com a doença aumenta o risco individual.



