Canadá enfrenta aumento de tarifas a partir de sexta-feira –
A Casa Branca anunciou um decreto que atualiza as tarifas no contexto da guerra comercial iniciada pelo ex-presidente Donald Trump. A nova regra adia a implementação das sobretaxas, que agora devem entrar em vigor em 7 de agosto, em vez de 1º de agosto, como estava previsto inicialmente.
A medida afeta especialmente o Canadá, cujas tarifas aumentaram de 25% para 35%. Trump já havia mencionado o país ao discutir questões relacionadas ao apoio para a criação do Estado Palestino, mas a razão dada para a elevação das tarifas está relacionada à suposta inação canadense em controlar a entrada de drogas, como o fentanil, nos Estados Unidos.
Em relação a outros países, a tabela tarifária foi quase toda revista, com aumentos nas taxas aplicadas a diversas nações. Muitos países tiveram suas tarifas elevadas de 10% para 15%, em linha com acordos feitos anteriormente com a União Europeia e o Japão. O Brasil, em particular, enfrenta um aumento considerável, sendo a nação mais afetada com uma taxa de 50% sobre a maioria de suas exportações para os EUA.
Além disso, outros países também foram impactados. A Síria terá tarifas de 41%, Mianmar e Laos enfrentarão taxas de 40%, enquanto a Suíça terá que pagar 30%. O México, por sua vez, manteve a tarifa em 25%, que será cobrada após um prazo de 90 dias devido a uma nova pausa nas negociações.
A justificativa para o tratamento diferenciado ao Canadá incluiu a alegação de que o país não colaborou de maneira eficaz para impedir a entrada de drogas ilegais. O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, contestou essas afirmações, afirmando que o Canadá tem feito progressos significativos na questão.
Apesar do aumento da tarifa, a maioria dos produtos canadenses não será amplamente impactada. Isso ocorre porque muitas mercadorias se beneficiam do Tratado entre Estados Unidos-México-Canadá (USMCA), que isenta cerca de 90% das exportações canadienses.
No Brasil, o governo está buscando aumentar a lista de produtos isentos das tarifas e prepara um plano de contingência. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, planeja dialogar com o secretário do Tesouro dos EUA para abordar a questão.
Produtos como café, carne bovina, calçados, frutas frescas e açaí do Pará enfrentarão uma taxa de 50% a partir do dia 6 de agosto. A indústria calçadista estima que aproximadamente oito mil demissões podem ocorrer entre as empresas que dependem das exportações para os Estados Unidos, caso não haja um acordo.
Segundo uma pesquisa, 89% da população brasileira acredita que o aumento das tarifas prejudicará a economia do país. Além disso, 57% dos entrevistados consideram que a posição de Trump sobre a intervenção no julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro é errada, enquanto 36% apoiam essa atitude.



