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Tempo de espera de Ons Jabeur evidencia necessidade de discutir o burnout no tênis –

A tenista tunisiana Ons Jabeur anunciou recentemente em suas redes sociais uma pausa na carreira profissional. Ela explicou que sentia a necessidade de se colocar em primeiro lugar, buscar tempo para respirar, se curar e redescobrir a alegria de viver. Essa declaração trouxe à tona a importância de cuidar da saúde mental, um aspecto frequentemente negligenciado no mundo do esporte.

Atletas profissionais, especialmente os jogadores de tênis, costumam passar quase o ano todo em turnês, viajando entre diferentes fusos horários e longe de suas famílias. Essa rotina intensa torna difícil encontrar alegria na vida cotidiana. Conversas com diversos atletas revelam que o esgotamento emocional já se tornou comum no circuito, sendo praticamente inevitável.

O esgotamento físico é mais fácil de identificar, geralmente associado a lesões. No entanto, o esgotamento mental é mais complexo e muitas vezes fica oculto. A busca pelo sucesso e pela felicidade se entrelaça com as vitórias e derrotas em quadra, fazendo com que os jogadores sua felicidade dependa muito de seu desempenho no esporte.

Perder em um torneio é uma realidade que muitos enfrentam, pois somente um atleta pode sair com o título, deixando os outros desmotivados. Isso pode mascarar as lutas internas que os jogadores enfrentam. Por isso, muitos escolhem simplesmente seguir em frente, mas Jabeur e outros estão percebendo que essa não é sempre a solução ideal.

Desde o fim de 2024, a ex-número dois do mundo tem lidado com uma série de lesões e doenças que comprometeram seu desempenho. Após uma pausa de quatro meses por causa de um problema no ombro, ela ainda não se sentia à vontade ao retornar. Jabeur declarou que, no fundo, não se sentia feliz em quadra há algum tempo.

O apoio vem de seu marido e treinador, Karim Kamoun, que enfatizou que a verdadeira força não está apenas em continuar lutando, mas em saber quando é hora de parar, respirar e se cuidar. Ele ressaltou que a decisão de Jabeur pode ser o ponto de partida para um retorno ainda mais forte.

Conversas com outros jogadores de tênis revelam a complexidade desses desafios emocionais. Nas competições, a pressão para continuar competindo é imensa, e muitos sentem culpa por não estarem fazendo o suficiente. Jabeur comentou que a cobrança vem de diversas fontes, como patrocinadores e o próprio ranking, que pode penalizá-los caso decidam fazer uma pausa.

Outros atletas, como Naomi Osaka e Bianca Andreescu, também optaram por se afastar do esporte em diferentes momentos por conta de problemas relacionados à saúde mental. Essa decisão é vista como um gesto corajoso, especialmente em um ambiente que muitas vezes prioriza o desempenho a despeito do bem-estar pessoal.

Ideias sobre como cuidar da saúde mental ainda estão em desenvolvimento no esporte. Jogadores precisam aprender a tratar a exaustão mental com a mesma seriedade dada a lesões físicas. A pressão para maximizar oportunidades muitas vezes impede que jovens atletas considerem a importância de descançar e se cuidar.

Diversos jogadores compartilham como o ambiente ao redor pode intensificar o sentimento de proteção, mas também afastá-los da realidade. A falta de experiências negativas pode levá-los a ignorar suas emoções. Por isso, é cada vez mais comum que atletas busquem a ajuda de psicólogos, que podem oferecer uma visão mais abrangente sobre a vida além do tênis.

Exemplos como o de Madison Keys, que conquistou seu primeiro título de Grand Slam após trabalhar sua saúde mental, e Andrey Rublev, que falou abertamente sobre suas lutas emocionais, mostram que falar sobre bem-estar é fundamental. Outros como Alexander Zverev também relataram sentimentos de solidão e falta de alegria fora das quadras, enquanto Casper Ruud mencionou a pressão constante na vida do tenista.

Por isso, a decisão de Jabeur de priorizar sua saúde mental pode encorajar outros atletas a fazer o mesmo. A situação evidência que, embora o burnout possa parecer inevitável, ele pode ser evitado por meio de escolhas conscientes e uma abordagem mais equilibrada sobre a carreira.

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