Notícias Agora

A cortejo extravagante de Trump com a Arábia Saudita e Israel

O encontro entre o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca, ocorreu em um ambiente luxuoso e grandioso, que refletiu as prioridades da política externa norte-americana. Embora o evento tenha sido anunciado como uma visita de trabalho, suas características foram mais extravagantes do que qualquer visita de Estado anterior.

Trump recebeu o príncipe no jardim sul da Casa Branca, que é um dos principais cenários do local, acompanhado de homens uniformizados montados em cavalos e uma passagem de aviões de caça. Durante a reunião no Salão Oval, o presidente parecia estar bastante impressionado, demonstrando entusiasmo ao cumprimentar o príncipe e ressaltando a importância da amizade entre os dois líderes.

No entanto, o clima festivo foi interrompido por uma pergunta de uma jornalista que mencionou o assassinato e desmembramento do jornalista Jamal Khashoggi, ocorrido em 2018, que é um dos principais motivos pelos quais o príncipe não visitou os Estados Unidos nos últimos sete anos. Trump respondeu de forma defensiva, criticando tanto a repórter quanto a emissora, sugerindo que Khashoggi era “extremamente polêmico” e não era totalmente apreciado, desconsiderando a gravidade do crime.

Essas declarações evidenciam a postura do presidente em relação aos direitos humanos e à sua preferência por líderes autocráticos. Desde seu segundo mandato, iniciado em janeiro anterior, Trump já havia orientado a política externa dos EUA nessa direção. Um aspecto significativo da visita foi a demonstração dos aviões de caça F-35, que estão sendo negociados para venda à Arábia Saudita. Segundo Trump, a venda não teria condições impostas, e as especificações dos F-35 vendidos para a Arábia seriam equivalentes às que Israel possui.

Se a venda se concretizar, isso representaria uma mudança na tradicional política de garantir que Israel tenha acesso ao melhor equipamento militar, mantendo sua “superioridade qualitativa” sobre outros aliados da região. Trump afirmou que tanto a Arábia quanto Israel são grandes aliados e que ambos merecem equipamentos de ponta.

Ademais, o governo dos Estados Unidos anunciou a liberação da venda de chips de inteligência artificial avançados para a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos. Essa decisão pode impulsionar os planos da Arábia Saudita de se tornar um centro tecnológico global, com a construção de grandes data centers acessíveis, que seriam fundamentais para a economia de inteligência artificial.

Analistas comentam que essa nova parceria entre os Estados Unidos e a Arábia Saudita no setor de tecnologia é comparável ao desenvolvimento das reservas de petróleo sauditas pelas empresas americanas nas décadas de 1930. Essas relações possam garantir um compromisso mais sólido dos Estados Unidos com a segurança saudita do que muitos acordos escritos.

Recentemente, outros sinais indicaram uma possível mudança na política dos EUA em relação ao Oriente Médio. Um documento da ONU, redigido pelos americanos, incluiu a discussão sobre um caminho para a criação de um Estado palestino, mesmo contra os desejos de Israel. Além disso, Trump reverteu algumas sanções contra a Síria, descontentando Tel Aviv, e sua visita ao Oriente Médio em maio deste ano não incluiu Israel, mas focou em países do Golfo.

Esses passos representam uma mudança em relação ao que muitos consideram o auge da relação EUA-Israel, que ocorreu quando Trump apoiou ataques a instalações nucleares do Irã, provocando preocupações em todo o Golfo. Os líderes sauditas expressaram apreensão com a rapidez com que os conflitos podem aumentar na região.

Trump também demonstrou estar desconfortável com ações de Netanyahu, de Israel, como bombardeios em Doha, e em seu último encontro com o premiê, o forçou a pedir desculpas ao emir do Catar durante uma ligação feita diretamente do Salão Oval.

Além disso, as promessas de investimento do príncipe Mohammed, que totalizam US$ 1 trilhão na economia americana, não esclareceram prazos e a quantidade exata de F-35 a ser vendida não foi definida, assim como outras propostas, como um pacto de defesa bilateral e um acordo sobre energia nuclear civil, que podem enfrentar obstáculos no Congresso.

A possibilidade de normalização das relações entre a Arábia Saudita e Israel, prevista pelos Acordos de Abraão, foi discutida, mas adiada pelo príncipe, que destacou que isso depende de um compromisso sólido em relação a um Estado palestino.

Em relação à situação na Palestina, especialistas observam que as perspectivas de mudança são bastante limitadas, uma vez que Israel está livres para agir como desejar, mantendo bombardeios na Faixa de Gaza.

No geral, a política dos Estados Unidos na região, apesar de algumas mudanças visíveis, parece continuar seguindo os mesmos padrões de anos anteriores, com decisões influenciadas por líderes locais e uma compreensão limitada das dinâmicas do Oriente Médio.

Núcleo Editorial

Compromisso com a informação de qualidade.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo